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A Mostra Fazenda Castelo: uma mostra diferente!

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nov 04 2018
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A Fazenda Castelo no século XIX.

Acostumados que estamos a ver mostras de decoração Brasil afora com pouca ou até nenhuma história que a justifique por trás do evento, hoje trazemos um evento completamente diferente que aconteceu aqui bem pertinho do Rio, na cidade de Além Paraíba, na divisa do estado com Minas Gerais. Ela aconteceu na Fazenda Castelo: histórica por uma série de acontecimentos que abordaremos aqui de modo muito breve, já que nosso foco é outro. Mesmo assim fica o convite para que todos conheçam a fazenda e percebam o quanto que um evento como este pode nos contar sobre nosso passado, de forma muito mais encantadora que os livros acadêmicos.

A Fazenda Castelo faz parte de um grupo de propriedades que nos remetem a um tempo importante da história do Brasil: o ciclo do café. Iniciado na região do Alto Paraíba na serra fluminense, ajudou a promover e acelerar o povoamento, principalmente entre os anos de 1820 e 1890 naquela região. Registros históricos comprovam que as fazendas de café na região surgiram logo após o início do ciclo, na metade do século XIX, oriundas das divisões das sesmarias. Algumas foram construídas depois, até mesmo já no século XX. A expansão cafeeira levou muitas famílias a se instalarem na zona da mata mineira, como posseiros. Com a assinatura da Lei de Terras, em 1850, algumas famílias enriquecidas com café não só legalizaram as terras como expandiram suas propriedades, desalojando posseiros menos afortunados. Logo, tudo estava tomado por grandes fazendas, mas ainda faltava obter o prestígio social, facilmente alcançado com um título de nobreza que só o Imperador podia conceder e o fazia em troca de apoio dos novos milionários, que dormiam rudes e acordavam aristocratas. Assim surgiram os barões do café, donos de grandes fortunas resultantes de uma atividade que iria mudar a face do Brasil.

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Um aspecto da “Cozinha Gourmet” de Ramon Fonseca, com o “Rustic Fit” na parede principal e revestindo a base da ilha central.

Desde 1840 esta fazenda centenária tem sido preservada pois grande parte da sede encontra-se em pé e em uso. Há 38 anos os atuais proprietários a adquiriam do proprietário mais ilustre, o coronel Luís de Sousa Breves, o Barão de Guararema, que também foi fundador da cidade de Além Paraíba. Outro morador ilustre foi o pintor italiano Eliseu Visconti, que residiu na sede desde menino. Visconti foi trazido à fazenda por influência de D. Francisca de Sousa Monteiro de Barros, a Baronesa de Guararema, aluna de pintura de Vitor Meirelles, que se tornou grande incentivadora e protetora de Visconti. A Baronesa o conheceu quando esteve em tratamento de saúde na Itália, quando trouxe também sua irmã, Marianella, para viver na fazenda.

A fazenda possui 50 alqueires no total. A casa principal tem dois pisos sendo o superior com 25 cômodos e o inferior com 9 cômodos, totalizando 34 ambientes, com uma área total construída de aproximadamente mil metros quadrados. Um conjunto em medalhão de madeira de lei e palhinha se destaca na sala principal da sede e resiste aos tempos. O mobiliário do interior da sede é de propriedade de Eliseu Visconti. Alguns móveis de época foram adquiridos pelos proprietários para compor a decoração da fazenda.

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O paredão de pedra e um dos pilares em madeira que inspiraram o projeto.

Mostra Fazenda Castelo é uma iniciativa dos atuais proprietários para incentivar os profissionais das áreas de arquitetura e decoração e artesãos de diversos talentos a destacarem o tesouro arquitetônico que é fazenda, resgatando a história da cidade que se inclui num contexto tão importante da história de Minas e do país. O tema é escolhido pela proprietária, Sra. Sheila Grosman, que convida profissionais que se destacam na região a fazer algum dos ambientes nos espaços disponíveis. As primeiras edições ocorreram em 2002 e em 2003, retornando em 2015 com uma especial homenagem ao pintor Visconti, onde inclusive peças originais de sua época foram trazidas. Também em 2016, uma edição comemorativa lembrando Oscar Niemeyer aconteceu, onde o antigo e o novo se encontraram nos espaços decorados.

Neste ano de 2018 houve a quinta edição e a Gauss Revestimentos marcou presença forte no evento através do trabalho do engenheiro civil Ramon Carvalho da Fonseca, que criou a “Cozinha Gourmet” no que era o porão da fazenda, espaço que, até o momento, não era utilizado. Ramon conta que sempre está presente na mostra, desde a edição de 2015, quando fez o “Banheiro da Suíte“, e na mostra de 2016, quando participou com dois espaços: o “Escritório do Pesquisador Viajante” e o “Banheiro do Fazendeiro“.

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Parte externa da cozinha com fechamento no cobogó “Itacoa“, peças “cube” e “corner“. Repare na funcionalidade do balcão bar.

Segundo o profissional, a ideia partiu do paredão de pedra que havia no local e de uma homenagem que prestou à Sra. Alice Mara Araujo Teixeira Cortês, professora, artista plástica e historiadora da região, que sempre valorizou a história das fazendas do município de Além Paraíba, e que o ajudou e inspirou mostrando em sua própria residência seus móveis de época e relatos na literatura, em forma de poesia, de escravos e senhores das fazendas, como era a vida na região.

Voltando ao projeto, Ramon relata que utilizou o cobogó “Itacoa*” tipos “Cube” e “Corner” para criar o fechamento do espaço, com uma janela, horta vertical, porta e balcão de bar. Para revestir a única parede em alvenaria do espaço, bem como a base do bar e da ilha central, Ramon lembrou-se do “Rustic Fit” na tonalidade “Terracota“, também da Gauss, que concedeu toda uma bossa ao ambiente. Segundo ele “a proposta de manter o paredão de pedras, os pilares em madeira e usar objetos antigos não poderia interferir no projeto de uma cozinha contemporânea e, para isso, nada melhor que utilizar os revestimentos do Grupo Passeio, que agregam qualidade, beleza e funcionalidade“.

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O balcão bar visto por dentro, com base revestida em “Rustic Fit” cor “Terracota

Todo o espaço da cozinha é bastante rústico sem deixar de possuir as facilidades de uma cozinha gourmet com uma amplitude tentadora, que falta nos ambientes usuais. Poder cozinhar com tal conforto é algo pouco visto e muito cobiçado e só uma fazenda do tipo pode proporcionar. Além disso, toda a história que envolve o lugar é encantadora e cabe divulgá-la cada vez mais para que outros eventos possam lá acontecer e ter mais apoio de todo tipo para que não se preserve a memória de nosso país de forma lúdica e bastante ilustrativa.

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Detalhe da pequena horta vertical sobre a parede de fechamento feita com o cobogó “Itacoa“.

*O cobogó “Itacoa” foi desenvolvido em parceria com  Lilia Sodré Arquitetura.